Menor bomba de insulina e o direito ao tratamento do diabetes

Bomba de insulina sem cateter pode ser indicada por médicos e gerar discussão sobre cobertura por planos de saúde

Conhecida como a menor bomba de insulina do mundo, a Patch Pump TouchCare® Nano, da Medtrum, Alliance Pharma, chega ao Brasil com a promessa de revolucionar o tratamento do diabetes mellitus tipo 1, também conhecido como DM1. Segundo o site da empresa, trata-se de um dispositivo patch (adesivo) que fica colado ao corpo do usuário. 

 

Com tamanhos que comportam de 200 a 300U de insulina, tem um sistema que pode ser integrado a um Nano CGM (Continuous Glucose Monitoring) que, como o nome já diz, é um sensor que monitora continuamente a glicose e também fica colado ao corpo do indivíduo.

 

Dentre as promessas, está a automatização. O dispositivo possui uma IA que aprende os hábitos alimentares e o padrão de glicemias para oferecer um maior controle contra picos de hiperglicemia ou hipoglicemia, ambos danosos a quem vive com essa comorbidade. 

 

Vale destacar que a indicação do dispositivo deve sempre ser individualizada e definida pelo médico endocrinologista, de acordo com as necessidades clínicas.

Bomba de insulina Patch Pump TouchCare® Nano e o direito ao tratamento do diabetes tipo 1
Bomba de insulina Patch Pump TouchCare® Nano revolução no tratamento do diabetes tipo 1

Como essa nova bomba de insulina pode impactar no tratamento do Diabetes tipo 1?​

Entender o impacto desse lançamento é entender o que é o Diabetes tipo 1.  Segundo o guia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), diabetes mellitus é um conjunto de condições e complicações de saúde que refletem o aumento da glicose no sangue, como doenças cardiovasculares, renais e neuropáticas. O aumento da glicose no sangue se dá pela não produção de insulina (DM1) ou pela pouca produção de insulina/resistência à insulina (Diabetes Mellitus 2 – DM2). 

 

Embora possa acometer adultos, o diabetes tipo 1 é mais comum em crianças. É uma condição autoimune, na qual o sistema destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção da insulina. Como consequência, a insulina para de ser produzida e se torna necessário repô-la de modo artificial.

Bomba de insulina diminui quantidade de injeções
Bomba de insulina diminui quantidade de injeções.

Como funciona a insulina e por que ela é tão importante?​

A insulina é o hormônio responsável pelo transporte do açúcar para a célula, gerando, assim, energia. É esse hormônio o responsável por manter os níveis da glicemia estáveis. Na falta desse hormônio, o açúcar se acumula no sangue, causando hiperglicemia.

 

Nesses casos, é necessário injetar, através de seringas ou canetas, a insulina de acordo com o que o médico estabeleceu para o tratamento. A terapia de insulinização é dividida em dois tipos de insulina. Uma das insulinas a serem aplicadas é a basal, ela é aplicada pela manhã e, em alguns casos ou tipos de insulina, à noite também. Ela age por um longo período do dia, buscando evitar episódios de hiperglicemia sem que haja ingestão de alimentos, afinal há outras fontes de glicose, para além da alimentação, como a que é liberada pelo fígado ou aumento com o cortisol.  Já a insulina bolus/rápida tem um pico mais curto e rápido. Essa insulina tem duas funcionalidades: corrigir hiperglicemias e cobrir os carboidratos a serem ingeridos. 

Bomba de insuina pode evitar picos de hiper e hipoglicemia
Bomba de insuina pode evitar picos de hiper e hipoglicemia

Contagem de Carboidrato e insulinização

Nas pessoas não diabéticas as células beta estão produzindo a insulina de acordo com a necessidade do indivíduo. Ela se autorregula de modo a produzir conforme há liberação de glicose no sangue, independentemente da fonte. No caso da alimentação, a maioria dos alimentos se transformam em açúcar. Isso significa que o paciente com DM1 precisa tomar a insulina de efeito rápido antes de comer para não gerar picos de hiperglicemia. Enquanto no organismo de um não diabético o pâncreas libera a quantidade de insulina correspondente ao que está sendo ingerido, no indivíduo com diabetes isso não ocorre. 

 

Como descobrir o quanto de insulina deve se aplicar se tudo vira açúcar?

Como a maioria dos alimentos elevam a glicose, é preciso calcular os carboidratos para ajustar a dose de insulina. Isso é chamado contagem de carboidratos (confira Manual de Contagem de Carboidratos da SBD). Logo, para cada quantidade de carboidrato que vai ser ingerido, uma quantidade de insulina deve ser aplicada. Se no pâncreas esse processo é autorregulado, no DM1 ele deve ser calculado e, assim, aplicar a quantidade correspondete de insulina, nem mais, nem menos, de acordo com o que foi orientado pelo médico endocrinologista.

Por que não pode aplicar insulina demais?​

O contrário da hiperglicemia também é danoso, que é a hipoglicemia. Muito embora pessoas com diabetes não produzam insulina, elas aplicam esse hormônio e, ao aplicar uma dose a mais, pode comprometer a sua saúde instantaneamente e levá-las ao coma. Em casos mais graves, pode causar complicações importantes. Nessas situações, é preciso seguir a orientação do endocrinologista e do nutricionista para entender a melhor forma de corrigir o problema.

Quais as vantagens de uma bomba de insulina?​

Não. As primeiras bombas continham um cateter, ou seja, um tubo para conectar a bomba a uma cânula e, então, ao corpo do usuário. Ela deveria ficar presa, de preferência, na roupa e não poderia ser colocada em outro lugar que não fosse na barriga. Ao cateter, tinha conectado um reservatório que era armazenada a insulina, cujos insumos deveriam ser trocados a cada 2 ou 3 dias. As bombas até por volta de 2018 não possuíam um sensor conectado, então, muitos usuários compravam um sensor à parte para poder ter maior facilidade de mapear a glicemia. Nesses casos, o paciente deveria verificar sua glicemia e tomar ações com base nela. 

Por que a bomba de insulina pode ser mais precisa que a injeção?​

Porque enquanto a basal tem maior impacto no paciente em determinado horário, já que funciona com picos, possibilitando maior descompensação da glicemia independentemente da variável aplicada — exercício ou alimentação —, a bomba infunde insulina rápida em microdoses constantemente que são programadas pelo médico e pelo educador da empresa no qual o dispositivo foi adquirido. Para dessas microdoses, também há o bolus alimentar, que é o momento antes da alimentação. Nesse caso, o DM1 faz a contagem de carboidrato e programa a bomba para que seja aplicado, também, a quantidade necessária para cobrir os carboidratos que irá consumir. Assim, a bomba é um método que busca uma maior precisão, tal como um pâncreas, com a exceção que o paciente precisa fazer contagem de carboidrato.

Essa é a primeira bomba lançada no Brasil?​

Não. As primeiras bombas continham um cateter, ou seja, um tubo para conectar a bomba a uma cânula e, então, ao corpo do usuário. Ela deveria ficar presa, de preferência, na roupa e não poderia ser colocada em outro lugar que não fosse na barriga. Ao cateter, tinha conectado um reservatório que era armazenada a insulina, cujos insumos deveriam ser trocados a cada 2 ou 3 dias. As bombas até por volta de 2018 não possuíam um sensor conectado, então, muitos usuários compravam um sensor à parte para poder ter maior facilidade de mapear a glicemia. Nesses casos, o paciente deveria verificar sua glicemia e tomar ações com base nela. 

Qual a diferença da bomba de insulina Patch Pump TouchCare® Nano para as demais?

A Patch Pump TouchCare® Nano se destaca por ser menor, sem cateter e à prova d’água, permitindo uso contínuo inclusive em atividades aquáticas. Assim como as demais bombas, é necessário trocar os insumos a cada 3 dias. Outra vantagem é que a cânula é de metal e não dobra, interrompendo o fornecimento de insulina, como acontecia às de plástico.

O que torna essa bomba de insulina ainda mais avançada?

É uma bomba que tem um sistema em que seu sensor de monitoramento de glicose é integrado a ela. Em outras palavras, possui um fornecimento dinâmico de basal — as microdoses constantes são variáveis. O que isso significa? Que, a depender da hora do dia, o corpo pode ter necessidade de mais ou menos insulina, que não era corrigido nas outras bombas, já que possuem um fornecimento constante, com aplicação da mesma microdose invariavelmente. Logo, no “fenômeno do alvorecer”, momento da madrugada em que o corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol que fazem a glicemia subir, a mesma dose seria infusionada como no momento em que o paciente estivesse se exercitando, quando a glicemia pode tender a cair, propiciando, então, um descontrole do diabetes. Isso não ocorre com a Patch Pump TouchCare® Nano que, ao ser informada pelo seu sensor que a glicemia está subindo, ela infunde mais insulina e interrompe esse fornecimento a excedente ao ser informada que a glicemia já está estabilizada. O mesmo acontece quando a glicemia está em tendência de queda, no qual o fornecimento de insulina é suspenso até que o DM1 esteja estabilizado.

 

Até então, essa bomba é o dispositivo médico de infusão de insulina que mais tem proximidade a um pâncreas, pela possibilidade de utilizar Inteligência Artificial (IA). A bomba tem o sistema Automeal, que é essa IA trabalhando a favor do usuário. Após certo tempo de uso, que é determinado pelos educadores da bomba, o insulinodependente pode acionar esse mecanismo — que não pode ser utilizado por aqueles que não possuem uma rotina alimentar.

Quais as desvantagens da bomba de insulina Patch Pump TouchCare® Nano?

As desvantagens principais estão relacionadas ao fator financeiro. Bombas de insulina, sobretudo de última geração, são caras. Os valores não são os mesmos para todos, pois estão condicionados a algumas variáveis: quantidade de insulina utilizada a cada 3 dias, tamanho da bomba, insumos necessários, entre outros.

Qual alternativa para quem não pode pagar uma bomba de insulina?

Quem não possui recursos financeiros para arcar com a bomba pode acionar o SUS ou o plano de saúde. Nesses casos, na maioria das vezes, é necessário recorrer à via judicial com apoio de um advogado da área do Direito da Saúde. Contudo, alguns dos documentos indispensáveis para pleitear a bomba, são: relatório do médico responsável com um embasamento técnico das razões pelas quais a bomba é o melhor tratamento e documentos e exames que possam ser anexados ao processo a fim de respaldar a arguição do advogado que acompanhará o caso, como possíveis complicações causadas pelo diabetes. O plano de saúde, muitas vezes, pode negar e alegar que não faz parte do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, podem alegar que é um equipamento de uso domiciliar, caro e experimental e que, no lugar da bomba, pode ser usada a insulina convencional.

O que o STJ tem a dizer sobre pleitear bomba de insulina junto ao plano de saúde?

Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a bomba de insulina é um dispositivo médico para o tratamento do diabetes tipo 1. Ao negar, o plano de saúde pode estar cometendo uma abusividade, uma vez que pode colocar o paciente em risco. Além de haver evidências científicas de eficácia, o rol da ANS é uma lista mínima, constantemente atualizada, de tratamentos que o plano deve cobrir e admite exceções em situações específicas, como o tratamento de diabetes que, segundo o STJ, é encarado como algo a ser individualizado. 

 

O fornecimento da bomba de insulina, porém, não é automático. É necessário seguir critérios rigorosos que devem ser analisados de modo individualizado. Para isso, é imprescindível que se tenha uma boa assessoria jurídica com um advogado especialista em Direito da Saúde. Assim, ele será acompanhado da melhor forma para buscar celeridade e maior chance de êxito do seu caso.

Conclusão​

A bomba de insulina pode garantir melhor qualidade de vida para o paciente com diabetes tipo 1. Além de diminuir a quantidade de injeções, a eficácia do tratamento pode ser muito maior que através das tradicionais injeções, afinal, possibilita um maior controle glicêmico por evitar os picos de hiper ou hipoglicemia. Um dos malefícios do tratamento através de bomba é o custo. Em alguns casos, pacientes buscam junto ao plano de saúde a cobertura do tratamento. O STJ, porém, afirma que esse tratamento não deve ser de forma automática. Por não estar no rol da ANS, é necessário que se avalie cada caso rigorosamente a fim de garantir o melhor direcionamento do caso. Por isso, é preciso acompanhamento médico, com documentos que embasam o caso, além de um advogado especialista em Direito da Saúde para garantir maior celeridade e maior chance de êxito.

Perguntas Frequentes

É um dispositivo que administra insulina de forma contínua, simulando o funcionamento do pâncreas e reduzindo a necessidade de múltiplas injeções diárias.

Depende do caso. O STJ entende que não deve ser uma decisão automática, mas que deva passar por uma avaliação criteriosa. Deve haver  prescrição médica, relatório e documentos que possam auxiliar o advogado do caso a embasar sua ação.

Por via de regra, não. Mas assim como ocorre com os planos de saúde, é possível judicializar mediante comprovação da necessidade médica.

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